ALERTA Doenças reumáticas estão associadas à incapacidade física, complicações em órgãos vitais e menor expectativa de vida

As doenças reumáticas atingem milhões de pessoas de todas as idades e podem levar à debilitação crônica e à redução da qualidade de vida. Apesar de todo esse impacto negativo, ainda não são totalmente conhecidas pela população. Embora seja popular a palavra ‘reumatismo’, o que pouca gente sabe é que existem cerca de 125 doenças ligadas ao termo que afetam o aparelho locomotor, que é composto por ossos, articulações, cartilagens, músculos, tendões e ligamentos.

Algumas dessas doenças, por serem sistêmicas e autoimunes, podem comprometer outras partes e funções do corpo, inclusive órgãos vitais como coração, pulmões e rins. Elas podem afetar ainda os olhos, intestino e até a pele. Algumas delas, em estado avançado, podem causar deformidades articulares e incapacidade física, sendo necessário o auxílio de muletas ou cadeira de rodas.

Por muitos anos não eram consideradas agressivas, porém estudos mais recentes apontam que pacientes com artrite reumatoide, que é uma das doenças reumáticas mais comuns, tem a expectativa de vida significativamente diminuída em comparação com a população em geral.

Um dos primeiros estudos comparando a mortalidade dos pacientes com artrite reumatoide em relação à população geral ocorreu no início dos anos 50. Foi feito um acompanhamento em 583 pacientes por um período médio de 9,6 anos e tal avaliação apontou que a doença, ao contrário do consenso geral, era grave e associada a uma menor sobrevida.

Entrevista com especialista

A médica reumatologista Mariana Picolli, membro da Sociedade Brasileira de Reumatologia, foi entrevistada pelo Dourados Agora e esclareceu dúvidas sobre as doenças reumáticas em geral, alertou para o perigo da automedicação e ainda falou sobre inovações no tratamento.

“A inovação é espetacular, os remédios agem direto na causa da doença. O tratamento não é feito somente com analgésicos e sintomáticos para alívio das dores, mas também com medicamentos modificadores do percurso da doença, evitando as deformidades e o acometimento de outros órgãos”

Confira no vídeo abaixo, a entrevista na íntegra:

Aposentadoria precoceErroneamente, as doenças reumáticas são associadas aos idosos. A maioria dos diagnósticos ocorrem por volta dos 40 anos, no auge da vida profissional do paciente, causando um forte impacto econômico, familiar e pessoal. Estima-se que 15 milhões de pessoas no Brasil são atingidas, e que 5% dessa parcela da população tornaram-se economicamente inativos.As doenças reumáticas são responsáveis pelo aumento do número de solicitações de auxílio-doença e, muitas vezes, levam à aposentadoria em idade precoce.Complicações reumáticas podem impedir as pessoas de realizarem até atividades simples do dia a dia como pentear os cabelos e escovar os dentes. Uma pesquisa divulgada no 25º Congresso Brasileiro de Reumatologia, ocorrido em 2018, revelou que a falta de forças nas mãos está entre as principais reclamações de pacientes com artrite reumatoide.Dados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) apontam que no Brasil as maiores causas de afastamento do trabalho são problemas osteomusculares. Em 2007, 23,38% dos auxílios previdenciários concedidos eram de doenças do sistema osteomuscular e tecido conjuntivo. Já em 2013 este número cresceu para 37%.Os últimos dados fornecidos pela Previdência são do ano de 2017 e apontam dor nas costas como a principal causa do afastamento do trabalho. O INSS não específica as doenças, mas são várias as patologias que causam dor na coluna, principalmente doenças reumáticas como a fibromialgia e osteoporose.

PACIENTES REUMÁTICOS CORREM MAIS RISCO DE SOFREREM DOENÇAS CARDIOVASCULARES

De uma forma geral, as doenças autoimunes podem trazer complicações ao coração. A artrite reumatoide e o lúpus são as doenças reumáticas autoimunes mais comuns. Devido ao aumento das inflamações provocadas por essas enfermidades, podem ocorrer lesões nas paredes dos vasos sanguíneos e conseqüentemente formar-se trombos e coágulos.

No caso da Artrite, estudos avaliando a proporção de doenças cardiovasculares mostram que quem recebe o diagnóstico de AR tem até 48% mais chances de sofrer infarto e AVC e até 50% mais chances de morrer por doença cardiovascular do que a população sem esse diagnóstico. Nos casos de pacientes que têm a doença controlada, o risco cardiovascular é semelhante ao resto da população que não é portadora da doença.

A artrite promove alterações nos níveis de colesterol, e isso contribui para o surgimento das placas de gordura na parede das artérias. Com o tempo, o fluxo de sangue no coração pode ser interrompido pelo crescimento desse entrelaçado.

A maioria dos estudos epidemiológicos além de constatarem maior mortalidade cardiovascular nos pacientes com AR, também demonstram que ocorrem maior frequência de isquemia assintomática e maior letalidade pós-infarto.

Pulmões também podem ser afetados

A Artrite Reumatoide também pode afetar os pulmões causando diversos problemas. De acordo com a reumatologista Mariana Picolli uma das complicações mais comum é a doença pulmonar intersticial (DPI), que acontece quando os pulmões tem inflamações ou cicatrizes que podem comprometer o funcionamento do órgão e atrapalhar a respiração.

“No caso da artrite reumatoide, por exemplo, a inflamação persistente das articulações, se não tratada de forma adequada, pode levar não só a dor, mas à deformidades e limitações para o trabalho e para as atividades da vida diária”, afirmou

A reumatologista Mariana Piccoli explica que para evitar graves complicações as pessoas devem ficar atentas aos sinais.

Ao ser questionada se é possível uma vida sem dor, a especialista afirmou que sim. “Esse é o maior objetivo do tratamento. Se tratada de forma adequada associado ao excelente arsenal terapêutico disponível atualmente, os pacientes podem ter uma ótima qualidade de vida e não sofrerem com dor”, frisou.

Fonte: https://www.douradosagora.com.br/noticias/brasil/doencas-reumaticas-estao-associadas-a-incapacidade-fisica-problemas-cardiovascu

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