quarta-feira, 9 de novembro de 2016

DOENÇAS AUTOIMUNES - Lúpus e Psoríase



De tratamento simples, psoríase é motivo de preconceito

Doença ataca tecido da pele, causado lesões e feridas em até 2% da população mundial. Tratamento é feito com cremes, loções e outros produtos para a pele, mas desconhecimento provoca constrangimentos em situações do dia a dia.







'Eu lembro dos relatos da minha mãe que começou a estranhar que eu tinha algumas casquinhas na pele e eu tinha uma unha que não estava crescendo de maneira normal. Então, eu cresci sabendo que eu tinha psoríase.'

A psoríase acompanha Simone Canelada há 40 anos. O diagnóstico chegou quando ela ainda era criança, tinha 3 anos idade. A doença autoimune ataca o tecido da pele, causando lesões e feridas. Apesar de se manifestar de forma mais branda, sem dores ou complicações em outros órgãos, a psoríase pode causar muito constrangimento aos pacientes, principalmente pelo preconceito.

Mais nova, os transtornos não eram tantos, mas Simone conta que, com a chegada da adolescência, a convivência na rua e na escola ficava cada vez mais difícil.

'Além dos apelidos, eu fui expulsa de um clube da cidade. Já cheguei a entrar em uma loja e não deixarem eu experimentar uma roupa. E como eu sempre tive muita ferida nos braços e nas pernas, era um preconceito diário, de ninguém encostar em você.'

O tratamento da psoríase costuma ser simples, com cremes, loções e outros produtos para a pele. Mas, em alguns casos, a doença pode evoluir, apresentando lesões em maior número pelo corpo. A psoríase também pode estar associada de outros problemas de saúde, como dores na articulação ou problemas cardíacos.

O tratamento nesses casos mais graves é feito a base de medicamentos por via oral como imunossupressores quimioterápicos, que têm muitos efeitos colaterais desagradáveis como inchaço, náuseas e problemas no fígado. O dermatologista Murilo Drummond explica que novos tratamentos com os chamados medicamentos biológicos, apresentam resultados positivos, mas nenhum deles é oferecido pelo SUS.

'Vamos pensar no paciente que tem 70% ou 80% do corpo descamando com placas. O paciente se sente mal, é desagradável... Então, já temos medicamentos que transformam isso em 10% ou 5%, às vezes até 0 em poucos meses. São medicações que agem diretamente na produção das células da psoríase.'

Muitas vezes, os sintomas e complicações de saúde dos pacientes com doenças autoimunes são fruto do próprio tratamento.

No caso do lúpus, por exemplo, o principal componente utilizado nos remédios é a cortisona. A doença ataca vários órgãos e pode causar lesões no sistema nervoso, coração, pulmões, rins e articulações. Os sintomas podem aparecer aos poucos ou todos de uma vez, em períodos de crise.

Patrícia Pereira foi diagnosticada com lúpus há 23 anos e, desde então, ela convive com uma companhia desagradável, com sintomas que vem e voltam. Por causa do uso contínuo de medicamentos a base de cortisona, ela amputou as duas pernas e também perdeu todo o cabelo.

'Não tem como esquecer que temos o problema, estamos sempre tomando remédio: manhã, tarde e noite. Mas dá para levar uma vida tranquila quando ela está fora de atividade.'

Especialistas admitem que é difícil tratar a doença em sua fase aguda sem o uso da cortisona, mas a qualidade vida dos pacientes está cada vez melhor com os novos tratamentos. 

A taxa de mortalidade das pessoas com lúpus, por exemplo, saiu de 20% para 5%, nos últimos 50 anos.

Fonte: CBN


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