segunda-feira, 31 de outubro de 2016

DOENÇAS AUTO-IMUNES E TERAPIA BIOLÓGICA




Existem mais de 80 doenças auto-imunes, sendo algumas bem conhecidas como a Artrite Reumatoide, o Lúpus Eritematoso Sistêmico, a Espondilite Anquilosante ou a Artrite Psoriásica.

As doenças auto-imunes, tal como o nome indica, resultam de uma má função do sistema imunitário que começa a atacar o próprio organismo em defesa do mesmo. Todos temos sistema imunitário, cuja função é proteger-nos das doenças. Dito de uma forma simples, em pessoas saudáveis, este sistema reconhece de imediato as diferenças entre as células boas e os componentes maus que invadem o organismo. Nas pessoas que sofrem doenças auto-imunes, as defesas não conseguem fazer essa distinção, começando a atacar as células saudáveis, ou seja, um auto-ataque.

Algumas doenças auto-imunes são frequentes, chegando a afetar cerca de 10 por cento da população, atingindo qualquer órgão, às vezes vários e, apresentam um amplo espectro de gravidade.
Embora estas doenças não sejam doenças genéticas, a existência de uma predisposição genética é essencial para o seu desenvolvimento. Isto significa que determinadas combinações de genes resultam num risco mais elevado de desenvolvimento de uma doença auto-imune. Além da predisposição genética, alguns fatores ambientais podem precipitar o seu aparecimento: infeções, vacinas, alterações hormonais, hábitos tabágicos ou deficiências nutricionais.

Outra caraterística das doenças auto-imunes é não serem contagiosas. No entanto, são crónicas e muitas vezes difíceis de reconhecer e de diagnosticar, podendo causar lesões graves dos órgãos e em casos concretos comprometer a vida humana. Os sintomas são muito variados, não só de umas doenças para as outras, como também na mesma doença, sendo um desafio para os médicos, quer no seu diagnóstico, quer na sua terapêutica.

O tratamento das doenças auto-imunes consiste na administração de fármacos anti-inflamatórios, corticoesteroides, imunossupressores e biológicos. A terapia biológica baseia-se nos novos conhecimentos da biotecnologia, que permitiram identificar alvos específicos, responsáveis pela atividade das doenças.

Os fármacos hoje disponíveis são uma evolução fundamental no tratamento deste tipo de condições, que podem assim beneficiar terapêuticas altamente específicas e eficazes, bloqueando alvos muito selecionados e travando o dano estrutural que por vezes estas provocam. Vieram revolucionar o tratamento destas doenças, alterando a sua história natural de evolução e oferecendo um enorme impacte na qualidade de vida dos doentes.

Ao contrário dos fármacos produzidos por síntese química, os medicamentos biológicos são produzidos habitualmente através de um ser vivo ou através da introdução de um ácido nucleico, através de processos altamente complexos.

Podem ser derivados de hormonas, anticorpos, derivados de sangue, medicamentos imunológicos (como soros e vacinas) e fatores de crescimento, entre outros.


Fonte: Barla Vento.
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